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Refinanciamento de veículo: como funciona e quanto dá para conseguir

Você usa o carro quitado como garantia e continua dirigindo. A taxa cai bastante — e o risco de perder o veículo é real.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 06 de agosto de 20264 minutos de leitura
Foto: Prince Prajapati / Unsplash
Foto: Prince Prajapati / Unsplash
50% a 70%
Quitado
Você dirige
Em resumo
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No refinanciamento de veículo, o proprietário usa um carro quitado como garantia de um empréstimo, mantendo a posse e o uso do bem enquanto a propriedade fica alienada ao credor. O valor liberado costuma variar entre 50% e 70% do valor de avaliação, e o veículo precisa estar em nome do contratante, quitado e dentro do limite de idade aceito pela instituição — comumente até 10 a 15 anos de fabricação.

É uma das poucas formas de acessar taxa baixa sem margem consignável. Também é a operação em que mais gente subestima o risco, porque a sensação de continuar com o carro na garagem esconde o fato de que ele já não é totalmente seu.

Quanto dá para conseguir

O percentual varia por instituição e pelo perfil do veículo. Carros mais novos, de marcas com boa liquidez e sem sinistro tendem a receber percentuais melhores.

Valor de avaliaçãoLTV de 50%LTV de 70%
R$ 30.000R$ 15.000R$ 21.000
R$ 50.000R$ 25.000R$ 35.000
R$ 80.000R$ 40.000R$ 56.000
R$ 120.000R$ 60.000R$ 84.000

Quais veículos são aceitos

  • Quitado e sem alienação em aberto
  • Em nome do contratante
  • Dentro do limite de idade da instituição, comumente 10 a 15 anos
  • Sem registro de sinistro grave ou perda total
  • Licenciamento e IPVA em dia
  • Sem restrição judicial ou administrativa no documento

Os custos além dos juros

Como no home equity, comparar apenas pela taxa mensal engana. A constituição da garantia tem custo próprio.

CustoO que é
Vistoria e avaliaçãoLaudo do veículo exigido pela instituição
Registro do gravameAverbação da alienação no documento do veículo
IOFTributo federal sobre a operação de crédito
SeguroAlgumas instituições exigem seguro do bem em garantia
Tarifa de cadastroQuando prevista em contrato

O que acontece se você atrasar

A garantia é alienação fiduciária. Havendo inadimplência, o credor notifica, há prazo legal para regularizar, e não havendo pagamento cabe a busca e apreensão pelo rito próprio.

É um procedimento significativamente mais rápido que uma execução judicial comum — e é exatamente essa rapidez que justifica a taxa menor.

Quando faz sentido

A regra é a mesma de qualquer garantia real: use para algo que gere retorno ou substitua dívida muito mais cara.

Trocar rotativo de cartão por refinanciamento de veículo costuma ser uma excelente decisão financeira. Usar o carro para cobrir despesa corrente é transferir o risco do banco para a sua mobilidade.

  • Quitar dívidas caras: rotativo, cheque especial, parcelamento de fatura
  • Capital para um negócio, com retorno estimado
  • Emergência sem alternativa mais barata
  • Nunca: cobrir despesa mensal recorrente

Cuidado redobrado se o carro é sua renda

Para motorista de aplicativo, entregador ou representante comercial, o veículo não é um bem — é a ferramenta que paga a parcela.

Perder o carro nesse cenário significa perder a renda que quitaria a dívida. Se for esse o seu caso, deixe a parcela num patamar que caiba num mês fraco e mantenha reserva equivalente a pelo menos duas ou três parcelas.

Antes de contratar, compare

Refinanciamento de veículo é barato comparado ao crédito pessoal, mas nem sempre é a opção mais barata disponível para você.

Se existe margem consignável — sua ou de alguém da família que decida usá-la conscientemente —, ela costuma sair melhor e sem colocar bem nenhum em risco. Compare os CETs antes de assinar.

Simule a parcela

Ajuste valor e prazo. Confira se a parcela cabe num mês de renda baixa, não num mês bom.

Parcela mensalR$ 766,10
Total pagoR$ 36.772,66
Custo dos jurosR$ 11.772,66
Confirmar condições reaisSimulação pela Tabela Price, apenas para referência. O CET inclui vistoria, gravame e IOF — peça por escrito.

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Perguntas frequentes

Continuo usando o carro?
Sim. Você mantém a posse e dirige normalmente. A propriedade registral fica alienada ao credor até a quitação.
Quanto consigo pelo meu carro?
Em geral entre 50% e 70% do valor de avaliação da instituição, que considera ano, modelo, estado e liquidez do veículo.
Carro financiado serve?
Em geral não. É preciso que esteja quitado e sem alienação em aberto.
Existe limite de idade do veículo?
Sim, definido por cada instituição. Costuma ficar entre 10 e 15 anos de fabricação.
Posso vender o carro durante o contrato?
Só com anuência do credor, porque a propriedade registral é dele. Na prática, costuma-se quitar a dívida na própria venda.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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