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Empréstimo consignado para CLT: como funciona o desconto em folha em 2026

Quem tem carteira assinada pode descontar até 35% do salário direto na folha — e desde 2025 a contratação passou pela CTPS Digital.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 05 de agosto de 20265 minutos de leitura
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash
35%
+5%
10%
Em resumo
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O empréstimo consignado para CLT é um crédito com desconto direto na folha de pagamento de quem tem carteira assinada. O trabalhador pode comprometer até 35% do salário bruto, mais 5% em cartão consignado, e a contratação é feita pela CTPS Digital, onde os bancos enviam propostas concorrentes. Por ter garantia de desconto automático e uso do FGTS como colateral, os juros são bem menores que os do crédito pessoal comum.

Durante muitos anos o consignado foi coisa de aposentado e servidor público. O trabalhador de carteira assinada dependia da boa vontade da empresa: só tinha acesso se o empregador tivesse convênio com algum banco, e a maioria não tinha. Isso mudou com o Crédito do Trabalhador, que tirou a intermediação da empresa do caminho e colocou a oferta dentro de um aplicativo que quase todo mundo já tem no celular.

Quem pode contratar o consignado CLT

A regra é simples: precisa ter vínculo formal ativo registrado no eSocial. Isso inclui trabalhador urbano e rural com carteira assinada, empregado doméstico, trabalhador rural com contrato por prazo determinado e diretor não empregado que recolhe FGTS.

Quem não entra: autônomo sem vínculo, MEI que não é empregado de ninguém, servidor público estatutário (que tem a própria linha de consignado) e quem está com o contrato suspenso.

  • Empregado urbano ou rural com CTPS ativa
  • Empregado doméstico registrado
  • Trabalhador rural com contrato temporário
  • Diretor não empregado com recolhimento de FGTS

Quanto dá para pegar: a conta da margem

O limite não é o valor do empréstimo, é o tamanho da parcela. Ela não pode passar de 35% do salário bruto. Some a isso 5% reservados exclusivamente para cartão de crédito consignado, e você chega ao teto de 40% de comprometimento.

Na prática, quanto você consegue depende também do prazo. Prazos maiores reduzem a parcela e permitem um valor liberado maior — mas o total de juros pago cresce junto.

Salário brutoMargem de 35%Margem de cartão (5%)Comprometimento total
R$ 1.518,00R$ 531,30R$ 75,90R$ 607,20
R$ 2.500,00R$ 875,00R$ 125,00R$ 1.000,00
R$ 4.000,00R$ 1.400,00R$ 200,00R$ 1.600,00
R$ 6.000,00R$ 2.100,00R$ 300,00R$ 2.400,00

Como contratar pela CTPS Digital, passo a passo

Todo o fluxo começa no aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Você não escolhe o banco primeiro: você autoriza a consulta, e os bancos que quiserem enviam propostas para você comparar.

  1. Abra o app CTPS Digital e entre com a conta gov.br
  2. Vá em Empréstimo Consignado e autorize a consulta da sua margem
  3. Aguarde as propostas dos bancos (o prazo é de até 24 horas)
  4. Compare o CET — não só a taxa mensal — e o número de parcelas
  5. Escolha a proposta e assine digitalmente
  6. O valor cai na sua conta e o desconto começa na folha seguinte

O que garante o empréstimo — e o risco disso

Aqui está a diferença que derruba o juro. Além do desconto em folha, a lei permite que o banco use como garantia até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória de 40%.

Isso é uma faca de dois gumes. O juro cai porque o risco do banco cai. Mas se você for demitido, aquele dinheiro que você contava receber pode ir direto para quitar a dívida. Faça a conta antes de assinar considerando o cenário de perder o emprego.

E se eu for demitido ou trocar de emprego

A dívida não some. Na demissão, o banco pode reter até 35% das verbas rescisórias e acionar a garantia do FGTS. O saldo que sobrar continua sendo seu para pagar por boleto ou débito em conta.

Se você for recontratado em outra empresa, dá para retomar o desconto em folha no novo emprego — o vínculo é com o trabalhador, não com o empregador. Avise o banco assim que o novo contrato aparecer no eSocial.

Portabilidade: trocar de banco sem quitar

Se você achar uma taxa melhor depois de contratar, pode pedir portabilidade. O banco novo quita o saldo devedor no banco antigo e você passa a pagar a ele, com a taxa nova.

A portabilidade é um direito, não um favor. O banco original não pode barrar. Ele pode, sim, oferecer uma retenção — igualar ou melhorar a taxa para você ficar. Nesse caso, compare por escrito antes de decidir.

Simule a parcela do seu consignado CLT

Ajuste valor e prazo e veja quanto fica a parcela. Depois confira se ela cabe nos 35% do seu salário bruto.

Parcela mensalR$ 303,87
Total pagoR$ 10.939,34
Custo dos jurosR$ 2.939,34
Confirmar condições reaisSimulação pela Tabela Price, apenas para referência. As condições reais dependem do banco, do seu salário e da margem disponível.

Antes de assinar, confira

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Perguntas frequentes

Preciso pedir autorização para a minha empresa?
Não. Desde a criação do Crédito do Trabalhador, a contratação acontece entre você e o banco pela CTPS Digital. A empresa apenas processa o desconto que já vem determinado no eSocial.
Quem está no período de experiência pode contratar?
Pode, desde que o vínculo esteja ativo no eSocial. Alguns bancos, porém, exigem tempo mínimo de casa na própria política de crédito — isso varia de instituição para instituição.
Qual o prazo máximo do consignado CLT?
Costuma ir até 48 meses, mas há bancos operando com prazos maiores. Quanto maior o prazo, menor a parcela e maior o total de juros pago no fim.
Posso ter consignado CLT e consignado do INSS ao mesmo tempo?
Sim, são margens diferentes e independentes. Quem trabalha com carteira assinada e também recebe aposentadoria do INSS tem duas margens separadas.
Negativado consegue consignado CLT?
Na maioria dos casos sim. Como o desconto é em folha e há garantia de FGTS, o score costuma pesar menos do que no crédito pessoal comum. A aprovação continua sendo decisão do banco.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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