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Juros abusivos: como identificar de verdade e o que fazer para contestar

Juro alto não é automaticamente juro abusivo. O critério que os tribunais usam é a comparação com a média do Banco Central — e ela é pública.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 05 de agosto de 20264 minutos de leitura
Foto: Cht Gsml / Unsplash
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Em resumo
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Para identificar juros abusivos, o caminho é comparar a taxa do seu contrato com a taxa média de mercado que o Banco Central divulga para aquela modalidade específica de crédito. Juro alto não é, por si só, juro abusivo: os tribunais costumam exigir uma discrepância expressiva em relação à média para reconhecer abuso. No consignado do INSS a situação é mais direta, porque existe um teto definido pelo CNPS — cobrança acima dele é irregular independentemente de comparação.

Quase todo mundo que olha uma fatura de cartão ou um contrato antigo tem a sensação de estar pagando demais. Às vezes essa sensação está certa e há o que fazer. Outras vezes a taxa é alta porque a modalidade é cara mesmo. Saber distinguir os dois casos evita perder tempo — e evita cair em promessa de revisional milagrosa.

O critério que os tribunais usam

Não existe no Brasil um limite geral de juros para instituições financeiras aplicável a todas as modalidades. O que a jurisprudência consolidou é um teste de comparação: sua taxa contra a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para o mesmo tipo de operação, no mesmo período.

Estar um pouco acima da média não configura abuso. O que costuma ser reconhecido é a discrepância expressiva, sem justificativa no perfil da operação.

Como comparar, na prática

  1. Pegue o contrato e localize a taxa mensal e, principalmente, o CET
  2. Identifique a modalidade exata: consignado INSS, consignado privado, crédito pessoal não consignado, cheque especial, rotativo do cartão
  3. Anote a data de contratação — a comparação é com a média daquele período, não a de hoje
  4. Consulte a taxa média da modalidade no site do Banco Central
  5. Compare os dois números e calcule a diferença

O que é caro por natureza e o que é suspeito

Nem toda taxa alta é abuso. Algumas modalidades são estruturalmente caras porque não têm garantia nenhuma.

ModalidadePerfil de custoO que observar
Consignado INSSDos mais baratosHá teto do CNPS — acima dele é irregular
Consignado CLT e servidorBaixoCompare entre bancos, a variação é grande
Crédito pessoal não consignadoAltoSem garantia, o custo é naturalmente maior
Cheque especialMuito altoExiste limite regulatório para o rotativo do cheque especial
Rotativo do cartãoEntre os mais carosHá regra limitando o total cobrado sobre o saldo

O caso mais claro: teto do consignado do INSS

Aqui não é preciso discutir média. O Conselho Nacional de Previdência Social fixa um teto de juros para o consignado do INSS, com valores distintos para empréstimo e para cartão consignado.

Se o seu contrato foi assinado com taxa acima do teto vigente na data, a irregularidade é objetiva. Junte o contrato, a data e o teto da época e reclame.

Passo a passo para contestar

  1. Reúna contrato, extratos e o demonstrativo do CET
  2. Faça a comparação com a taxa média da modalidade na data da contratação
  3. Registre reclamação no banco e guarde o protocolo
  4. Abra reclamação no consumidor.gov.br, que tem prazo formal de resposta
  5. Registre no Banco Central e, se for consignado do INSS, também no 135
  6. Procure o Procon do município
  7. Persistindo, avalie ação revisional com advogado ou Defensoria Pública

Cuidado com a promessa de revisional fácil

Existe um mercado de escritórios que promete reduzir qualquer dívida por revisional, cobrando adiantado. Boa parte dessas ações não prospera, e o consumidor sai com honorários a pagar e a dívida intacta.

Antes de contratar qualquer serviço pago, esgote os canais gratuitos: banco, consumidor.gov.br, Banco Central, Procon e Defensoria. Eles resolvem uma parcela relevante dos casos sem custo nenhum.

Antes de alegar abuso, confira

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Perguntas frequentes

Existe um limite legal de juros no Brasil?
Não há um teto geral aplicável a instituições financeiras em todas as modalidades. Existem limites específicos, como o teto do consignado do INSS e as regras sobre o rotativo do cartão.
Onde consulto a taxa média de mercado?
No site do Banco Central, na seção de taxas de juros de operações de crédito, com dados por modalidade e por instituição.
Estar acima da média já garante a revisão?
Não. A jurisprudência costuma exigir discrepância expressiva e sem justificativa. Estar levemente acima da média raramente basta.
Vale a pena entrar com ação revisional?
Depende do tamanho da diferença e do valor do contrato. Antes de contratar serviço pago, use os canais gratuitos — eles resolvem boa parte dos casos.
O CET pode ser maior que a taxa de juros?
Sim, e quase sempre é. O CET inclui juros, IOF, tarifas e seguros. É por ele que se compara propostas, não pela taxa mensal isolada.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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