Quanto rende o FGTS e se vale a pena deixar o dinheiro parado lá
O fundo tem correção definida em lei, historicamente abaixo de aplicações conservadoras. Isso muda a conta de quem pode sacar.
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A discussão sobre o rendimento do FGTS costuma virar debate político, e isso atrapalha a decisão prática. Vale separar duas perguntas: o fundo rende bem? E: eu posso fazer alguma coisa a respeito?
Como a correção funciona
O saldo é atualizado mensalmente por uma regra legal que combina juros anuais com a Taxa Referencial. Além disso, parte do resultado do fundo é distribuída anualmente aos titulares das contas.
É importante entender que essa não é uma aplicação que você escolheu nem pode trocar: é um depósito compulsório com regra de remuneração fixada em lei.
- Juros anuais definidos na legislação do fundo
- Correção pela TR
- Distribuição anual de parte do resultado do FGTS
- Crédito automático, sem necessidade de solicitação
A comparação que gera a discussão
Ao longo dos anos, a soma juros mais TR mais distribuição tende a ficar abaixo do retorno de aplicações conservadoras de renda fixa disponíveis no mercado.
Daí a percepção de que o dinheiro rende pouco. É uma percepção correta na comparação — mas incompleta como base de decisão, pelo motivo da seção seguinte.
A pergunta que realmente importa
Rendimento só é uma variável de decisão quando existe decisão a tomar. E no FGTS, na maior parte das situações, não existe: o saldo é indisponível.
As hipóteses de saque são taxativas — demissão sem justa causa, aposentadoria, compra de imóvel pelo SFH, doenças graves previstas, idade a partir de 70 anos, saque-aniversário, entre outras. Fora delas, comparar com renda fixa é um exercício sem consequência prática.
| Sua situação | O rendimento importa? |
|---|---|
| Empregado, sem hipótese de saque | Não — o saldo é indisponível |
| Optante do saque-aniversário | Sim — há uma parcela sacável por ano |
| Aposentado com saldo disponível | Sim — dá para decidir o destino |
| Demitido sem justa causa | Sim — o saldo fica disponível |
| Com conta inativa e direito de saque | Sim — vale conferir |
Se você pode sacar, o que fazer
Aqui a comparação passa a fazer sentido — e a resposta raramente é investir.
Se você tem dívida cara, quitá-la rende mais que qualquer aplicação conservadora, porque você deixa de pagar um juro alto. Só depois disso a comparação com renda fixa entra em cena.
- Primeiro: quitar dívida cara, como rotativo de cartão e cheque especial
- Segundo: montar reserva de emergência, se ainda não houver
- Terceiro: comparar com aplicações conservadoras, se sobrar
- Nunca: sacar sem destino definido — dinheiro parado na conta corrente rende zero
O saque-aniversário nessa conta
Optar pelo saque-aniversário é o que transforma um saldo indisponível em algo parcialmente disponível todo ano. Isso é o argumento a favor.
O argumento contra é conhecido: você abre mão do saque-rescisão. Ou seja, troca liquidez anual pequena por proteção em caso de demissão. Para quem tem emprego instável e nenhuma reserva, essa troca costuma ser ruim, independentemente de rendimento.
Confira o que você tem antes de decidir qualquer coisa
Muita gente discute rendimento sem saber o próprio saldo. Contas de empregos antigos continuam existindo e continuam sendo corrigidas.
Abra o aplicativo FGTS e some tudo, contas ativas e inativas. É comum aparecer valor esquecido — e é esse número, não o percentual de correção, que muda alguma coisa na sua vida.
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Perguntas frequentes
Quanto rende o FGTS por ano?
O FGTS rende menos que a poupança?
Vale a pena sacar para investir?
A distribuição de resultados é automática?
Conta inativa continua rendendo?
Marcelo Moreira
Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.