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Quanto rende o FGTS e se vale a pena deixar o dinheiro parado lá

O fundo tem correção definida em lei, historicamente abaixo de aplicações conservadoras. Isso muda a conta de quem pode sacar.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 06 de agosto de 20264 minutos de leitura
Foto: Isaac Smith / Unsplash
Foto: Isaac Smith / Unsplash
Lei
TR
Anual
Em resumo
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O saldo do FGTS é corrigido por regra definida em lei — juros anuais somados à Taxa Referencial (TR) —, com uma distribuição adicional de parte do resultado do fundo, creditada anualmente nas contas dos trabalhadores. Historicamente esse retorno fica abaixo do de aplicações conservadoras de renda fixa. Na prática, porém, isso só é relevante para quem tem alguma hipótese de saque disponível, já que o saldo é indisponível na maior parte das situações.

A discussão sobre o rendimento do FGTS costuma virar debate político, e isso atrapalha a decisão prática. Vale separar duas perguntas: o fundo rende bem? E: eu posso fazer alguma coisa a respeito?

Como a correção funciona

O saldo é atualizado mensalmente por uma regra legal que combina juros anuais com a Taxa Referencial. Além disso, parte do resultado do fundo é distribuída anualmente aos titulares das contas.

É importante entender que essa não é uma aplicação que você escolheu nem pode trocar: é um depósito compulsório com regra de remuneração fixada em lei.

  • Juros anuais definidos na legislação do fundo
  • Correção pela TR
  • Distribuição anual de parte do resultado do FGTS
  • Crédito automático, sem necessidade de solicitação

A comparação que gera a discussão

Ao longo dos anos, a soma juros mais TR mais distribuição tende a ficar abaixo do retorno de aplicações conservadoras de renda fixa disponíveis no mercado.

Daí a percepção de que o dinheiro rende pouco. É uma percepção correta na comparação — mas incompleta como base de decisão, pelo motivo da seção seguinte.

A pergunta que realmente importa

Rendimento só é uma variável de decisão quando existe decisão a tomar. E no FGTS, na maior parte das situações, não existe: o saldo é indisponível.

As hipóteses de saque são taxativas — demissão sem justa causa, aposentadoria, compra de imóvel pelo SFH, doenças graves previstas, idade a partir de 70 anos, saque-aniversário, entre outras. Fora delas, comparar com renda fixa é um exercício sem consequência prática.

Sua situaçãoO rendimento importa?
Empregado, sem hipótese de saqueNão — o saldo é indisponível
Optante do saque-aniversárioSim — há uma parcela sacável por ano
Aposentado com saldo disponívelSim — dá para decidir o destino
Demitido sem justa causaSim — o saldo fica disponível
Com conta inativa e direito de saqueSim — vale conferir

Se você pode sacar, o que fazer

Aqui a comparação passa a fazer sentido — e a resposta raramente é investir.

Se você tem dívida cara, quitá-la rende mais que qualquer aplicação conservadora, porque você deixa de pagar um juro alto. Só depois disso a comparação com renda fixa entra em cena.

  • Primeiro: quitar dívida cara, como rotativo de cartão e cheque especial
  • Segundo: montar reserva de emergência, se ainda não houver
  • Terceiro: comparar com aplicações conservadoras, se sobrar
  • Nunca: sacar sem destino definido — dinheiro parado na conta corrente rende zero

O saque-aniversário nessa conta

Optar pelo saque-aniversário é o que transforma um saldo indisponível em algo parcialmente disponível todo ano. Isso é o argumento a favor.

O argumento contra é conhecido: você abre mão do saque-rescisão. Ou seja, troca liquidez anual pequena por proteção em caso de demissão. Para quem tem emprego instável e nenhuma reserva, essa troca costuma ser ruim, independentemente de rendimento.

Confira o que você tem antes de decidir qualquer coisa

Muita gente discute rendimento sem saber o próprio saldo. Contas de empregos antigos continuam existindo e continuam sendo corrigidas.

Abra o aplicativo FGTS e some tudo, contas ativas e inativas. É comum aparecer valor esquecido — e é esse número, não o percentual de correção, que muda alguma coisa na sua vida.

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Perguntas frequentes

Quanto rende o FGTS por ano?
A correção combina juros anuais definidos em lei com a TR, mais a distribuição anual de parte do resultado do fundo. O percentual total varia a cada ano.
O FGTS rende menos que a poupança?
A comparação varia conforme o ano e a TR. Historicamente, o retorno do fundo tende a ficar abaixo de aplicações conservadoras de renda fixa.
Vale a pena sacar para investir?
Só se você tem hipótese de saque disponível e não tem dívida cara. Quitar rotativo de cartão rende bem mais que qualquer aplicação conservadora.
A distribuição de resultados é automática?
Sim. O crédito é feito nas contas dos titulares sem necessidade de solicitação, conforme a decisão anual do conselho do fundo.
Conta inativa continua rendendo?
Continua. O saldo de vínculos encerrados permanece corrigido e aparece normalmente no aplicativo FGTS.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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