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Seguro prestamista no consignado é obrigatório? Não — e como recusar

Ele pode ser oferecido, nunca imposto. Se a aprovação depende de contratar o seguro, isso é venda casada e é vedado pelo CDC.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 05 de agosto de 20265 minutos de leitura
Foto: Leyla M / Unsplash
Foto: Leyla M / Unsplash
Opcional
Art. 39
No CET
Em resumo
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O seguro prestamista não é obrigatório em empréstimo consignado. Ele pode ser oferecido como produto adicional, mas condicionar a aprovação do crédito à sua contratação configura venda casada, prática vedada pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. Como o prêmio costuma ser somado ao valor financiado, o contratante paga juros sobre ele ao longo de todo o contrato — por isso ele aparece no CET.

A frase costuma vir no fim da conversa, quando o cliente já está com a caneta na mão: sai com o seguro, é padrão da operação. Padrão da operação é uma expressão sem valor jurídico — e a diferença entre oferecer e impor está escrita na lei.

O que o seguro prestamista cobre

É um seguro que quita o saldo devedor do empréstimo em caso de morte ou invalidez permanente do contratante, e em algumas apólices cobre também desemprego involuntário por período limitado.

Ele não é um produto inútil. Para quem é a única fonte de renda da casa e tem um contrato longo, pode fazer sentido. O problema nunca foi o produto — foi a forma como ele é vendido.

  • Morte do contratante
  • Invalidez permanente
  • Desemprego involuntário, em algumas apólices
  • Cobertura limitada ao saldo devedor, não à dívida inteira em qualquer cenário

O artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor veda condicionar o fornecimento de um produto ou serviço ao fornecimento de outro.

O teste é objetivo: se você disser não ao seguro e a proposta de crédito piorar ou desaparecer, houve condicionamento — e isso é contestável.

LegítimoVenda casada
Oferecer o seguro e explicar o custoDizer que sem o seguro não aprova
Apresentar proposta com e sem o seguroIncluir sem perguntar e não destacar no CET
Informar que é opcional, por escritoAlegar que é exigência do banco ou padrão da operação
Deixar você decidir depois de compararCriar urgência para assinar sem ler

Quanto ele realmente custa

Esse é o ponto que passa despercebido. Na maioria das operações, o prêmio do seguro é somado ao valor financiado — e não pago à parte.

Consequência: você paga juros sobre o seguro durante todos os meses do contrato. Num contrato de 84 meses, o custo efetivo do seguro é bem maior que o valor do prêmio isolado. É por isso que ele precisa aparecer no CET.

Como recusar sem perder a proposta

  1. Peça duas propostas: uma com e outra sem o seguro, ambas com CET
  2. Pergunte por escrito se o seguro é condição para a aprovação
  3. Guarde a resposta — ela é prova em qualquer instância
  4. Compare o CET das duas versões antes de decidir
  5. Se disserem que só existe a versão com seguro, você identificou a venda casada

Já assinei com o seguro. Dá para cancelar?

Dá. O cancelamento do seguro embutido pode ser solicitado, com devolução proporcional ao período não decorrido, conforme as condições da apólice.

Peça por escrito, com protocolo, e exija também o recálculo do contrato — se o prêmio foi financiado, a retirada dele deve reduzir o saldo devedor e os juros correspondentes.

  1. Solicite o cancelamento por escrito ao banco e à seguradora
  2. Peça cópia da apólice e das condições gerais
  3. Exija a devolução proporcional do prêmio não utilizado
  4. Exija o recálculo do saldo devedor, se o prêmio foi financiado
  5. Guarde todos os protocolos

Onde reclamar se recusarem

CanalPara quê
Ouvidoria do bancoPrimeira via formal, gera protocolo
consumidor.gov.brReclamação com prazo formal de resposta
Banco CentralConduta de instituição financeira
SUSEPQuestões relativas à seguradora e à apólice
ProconMediação e sanção administrativa
Juizado Especial CívelSem advogado até 20 salários mínimos

Vale a pena, quando é escolha sua

Se você é a única renda da casa, tem contrato longo e não tem seguro de vida, a proteção pode compensar — especialmente considerando que, sem ela, a dívida recai sobre o espólio.

Se você já tem seguro de vida, o contrato é curto ou há outras fontes de renda na família, o custo tende a não se justificar. O ponto é que essa conta é sua para fazer — não do vendedor para decidir.

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Perguntas frequentes

O banco pode exigir o seguro prestamista?
Não. Condicionar a aprovação do crédito à contratação do seguro é venda casada, prática vedada pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.
Como sei se estou pagando seguro?
Confira o demonstrativo de custos do contrato e o CET. O prêmio aparece discriminado; se não estiver, peça o detalhamento por escrito.
Posso cancelar depois de assinar?
Pode, com devolução proporcional ao período não decorrido. Peça por escrito e exija também o recálculo do saldo, se o prêmio foi financiado.
O seguro quita a dívida se eu morrer?
Essa é a cobertura principal, dentro dos limites e exclusões da apólice. Peça as condições gerais para saber exatamente o que está coberto.
Recusar o seguro faz o banco negar meu crédito?
Não pode ser condição. Se isso acontecer, peça a negativa por escrito e registre no consumidor.gov.br, no Banco Central e no Procon.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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